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O excessivo


    Se lhe disessem antes que não se entregasse, seria como pedir para um cão que não fosse fiel a quem o alimenta. E foi assim que seguiu sua longa jornada para dentro de si mesmo, quando descobriu estar só. Mesmo reconfortado,só.
Quando não havia mais como se curvar - como um embuá remexido - e lhe causava naúsea saber mais sobre si, ele gritou e extornou sua soberba de não ser mais amado como lhe dissera a tal um dia. Antes era ele e agora é outro. Tirar o álcool do alcoólatra, ou o amor do amante asfixia na mesma proporção. Mesmo que o amor não fosse real, antes ele estava entorpecido pelas conversas na madruga, pelas cartas pseudo-romanticas e pela certeza de ter sua fonte ilícita de amor-escudo. Sua overdose.
O fim de relação é a abstinência selvagem do drogado amordaçado e exatamente assim vivia. E depois de algum tempo aprendeu a viver sem ela... depois sem os outros... sem si próprio... até apenas existir como se não tivessem existido.


Comme si de rien n'était...


Então estava absolvido. Fugiu do que pudesse ter o cheiro da antiga droga, se reergueu e pareceu sóbrio. E despejou o amor do cálice gritando por dentro ao mesmo tempo que matinha as aparências: calem-se!

Seu amor foi mal dosado, exagerado por querer viver demais e do ácido virou gélido. E se não bebesse da presença dela, não se sentia perfurado, apedrejado, esquecido num lençol de palavras. Deixou de ver desfocado.

Curou-se.

Hoje não responde mais aos chamados do entorpecente de carne, cheiro e alma com nome moreno, fingindo ser racional e tirando toda a grandeza de amar sem sobriedade. Ex-excessivo. Vive hoje limpo com um olhar molhado por cima de tantos boêmios sem medo de mais um gole e só mais gole desse tal amor rock'n roll que deixa o cérebro desnorteado.


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